Os Mundos giram em dias iguais,
Na penumbra das horas dos seres mortais.
Aninho-me, juntando os joelhos à terra,
fazendo um remoinho com um pauzinho de madeira,
As crianças como eu, brincam na margem do rio, com paus atados com atilhinhos cheios de minhocas, a fazerem de conta que conseguem pescar. Outros rebolam na areia com a cara iluminada de um sorriso com todas as cores da alegria. O Sol brilha nos seus cabelos e as roupas furam quando saltam de pedra em pedra, as sapatilhas molhadas e lamacentas, mas a pequena alma cheia de raios, sonhos, cores, cheiros, chupa-chupas e pastilhas, cheia de pensamentos na mamã, no maninho, no papá...
Mas...
Alguns meninos não são assim, estão tristes, foram devolvidos das suas famílias de adopção, foram iludidos com o sonho de uma casa, de uma família e voltaram a po-los no escuro da desilusão, na falta de confiança, na culpa...
Aqui dou um sorriso a estes meninos, fecho os olho e lembro-me de mim criança....
Abro um sorriso e convido-os para brincar.
-Partilho as minhas gomas contigo, se me ensinares a pescar, digo.
- Ensino-te mais coisas do que a pescar, nós crianças ensinamos a amar, respondem.
Há dias em que a tristeza invade,
Mesmo até o corpo em que habita mais felicidade.








